Minha foto
A serenidade do outono entrou pela janela da minha percepção e suavizou meus sentidos, pairando no meu coração como sonata. Sou mulher, sensível, mulher apenas e bastante, sou.

sábado, 30 de maio de 2009

QuE bOm QuE vOcÊ vOlToU...




QuE bOm QuE vOcÊ vOlToU...

Agora meu coração se acalma.
E este voltar é tão relativo...
Mas mesmo assim um voltar.
Ah...eu já te disse?
qUe BoM qUe VoCê VoLtOu...
até as letrinhas brincam felizes.
Sabia que estava bem...
Sabia que estava plantando novos amigos
Sabia que estava fazendo o bem...
O xodó da cidade...
Meu menino tão lindo
Meu bem querer...
QuE BoM...
Sei que vai partir de novo...
Mas hoje...que bom

O amor...



Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

As falas do personagem Joaquim foram extraídas de "Os Três Mal-Amados"(1943) de João Cabral de Melo Neto

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nas estrelas vejo a sua mão...e no vento ouço....

Amor e Amizade



Foto : internet

Perguntei a um sábio

a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande
e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.




William Shakespeare



sábado, 23 de maio de 2009

Poetas Virtuais










Um teclado...
Um poeta apaixonado
Por esse mundo virtual...
poeta e leitor,escrevente e admirador.


Por dias e noites...
Longas horas,madrugadas inteiras
Juntos esperar o amanhecer...
assim sem nada pedir
apenas um alô


Ola,como vai você?
que bom te encontrar aqui...
Estava com saudades
adorei estar consigo ontem.
Eu também...
fiz um poema em tua homenagem
espero que tenha gostado...
Foi feito com muito carinho
Adorei e agradeço...
fiquei muito feliz
Se você não estivesse tão longe...
Mas tão proximos...
nesse teclado...


Separados estamos...
esse fato é verdadeiro
Mas verdade seja dita...
Longe um do outro
estamos com certeza.
Mas um poeta...
quando ama, poetisa...
seus poemas são carinhos
de amor para sua musa...
Que da paixão sintoniza a emoção...
Estão muito além
deste espaço...
"SIDERAL!"









Maria da Graça Varani

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Casa no Campo


Quem nunca pensou em ter uma casa no campo...
Estas e outras canções tão lindas de Zé Rodrix...
Saudades.




Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

quinta-feira, 21 de maio de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu Refúgio...



Coisas escritas em outros momentos...meu espaço é para cantar/falar
/sentir a felicidade.
Felicidade de ser mãe, de ter amigos, de aprender, de encantar-se todos
os dias com algo novo.
É verdade...todo dia, e muitas vezes no mesmo dia o novo nos encanta...
e às vezes o novo - como diria o poeta - nos surpreende não por estar
oculto, mas por ter estado óbvio.
O ver/olhar...
O poema a seguir pertence a outro momento, eu não me sentia tão feliz
naquele tempo...mas hoje olho/vejo este mesmo poema sob um outro
prisma e consigo ver que a esperança - de certa forma - já estava ali...




Vamos ao Meu Refúgio




sentir o vento que sopra na tarde
roçando as árvores que formam um arco
e passam pela casa abandonada
entrando por suas frestas e dando a volta
nas janelas com vidros quebrados
formam o quadro ideal do sentimento
que predomina neste lugar
abandono solidão tristeza
mas certamente alguma coisa mostra
que havia vida por aqui antes
antes deste lugar tornar-se meu refugio
rosas e violetas nascem profusas
livres da prisão de canteiros anteriores
que mão suave as plantou ?
me pergunto toda vez que as vejo
amo este lugar amo seu abandono
gosto das flores crescendo indisciplinadas
sem seguir umtraçado geométrico
sempre que posso fujo e venho sonhar
aproveitar o fim da tarde de sol
adoro a solidão deste lugar
prefiro o vento e as arvores
ao som das vozes estridentes
das buzinas dos automóveis
prefiro ouvir o silêncio
musical das flores...

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Ritual do Café




Estampa-se o sol em delicados raios
Sobre o mármore branco e liso da cozinha.

Suavemente me debruço e uma porta abro,
Recolho a xícara fina e o florido prato.

Ergo o meu braço e num voo livre,
No gesto de um armário desvendar,
Recolho o nobre pó de inebriante aroma.

Alongo a mão que a gaveta encontra,
E dela escolho, enfim, a colher mais bela,
Brilhante, pequena, com terno recorte.

Tudo coloco em ordem e harmonia:
O prato tranquilo e a expectante xícara,
Nesta, o torrado grão moído, de castanho intenso.

No açúcar rico, centro o meu cuidado,
A montanha branca transportando, pura,
Em bojuda prata que doce se inclina.

E luzem cristais em cascata linda!

Depois, a água borbulhante, quente,
A mistura inunda, dissolvendo-a
Em espirais de espuma que a colher adorna.

Café! Café! Precioso encanto!

Em dégagé devant te cumprimento,
Os meus braços lanço em acolhimento grato.

Da janela aberta me acerco então.

Tão bela é a vista que o Outono pinta no jardim!
Castanho da terra e verde das plantas unem-se
À água que brilha em bebedouro antigo.

Aspiro, feliz, da manhã tranquila, o seu odor
A quente café e à relva orvalhada.
Olho o céu e sorvo um gole, outro e outro.

E assim me quedo, por instantes longos.
Entre o prazer forte do café e a doçura da manhã
Mais um dia de vida se inicia!


Ilona Bastos

segunda-feira, 18 de maio de 2009






Que doce privilégio o meu...voltar do meu trabalho e ter
este presente de Deus...
O céu outonal da minha cidade.
Com-partilho.
Fotos : Dedé





Cantiga para não morrer


Foto : Rui Bento Alves

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.


Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.


Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.


E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.



Ferreira Gullar de Dentro da Noite Veloz (1962-1975)

domingo, 17 de maio de 2009

Cidade Santa






Dormindo no meu leito,
Em sonho encantador.
Um dia eu vi Jerusalém
E o templo do Senhor.
Ouvir cantar crianças,
E em meio ao seu cantar
Rompeu a voz dos anjos,
Do céu a proclamar:
Rompeu a voz dos anjos,
Do céu a proclamar:



Jerusalém! Jerusalém!
Cantai, ó Santa Grei!
Hosana! Hosana!
Hosana aoVosso Rei!


Então o sonho se alterou,
Não mais o som feliz
Ouvi-a das Hosanas
Os coros infantis.
O ar em torno se esfriou,
Do sol faltava a luz,
E num alto e tosco monte vi
O vulto de uma cruz!
E num alto e tosco mon te
Vi o vulto de uma cruz!



Jerusalém! Jerusalém!
(Aos anjos escutei),
Hosana! Hosana!
Hosana ao vosso Rei!
Jerusalém! Jerusalém!
Teu dia vai raiar!
Hosana! Hosana!
Hosana sem cessar!
Hosana sem cessar!



Ainda a cena se mudou;
Surgia em resplendor a divinal cidade,
Morada do Senhor.
Da lua não brilhava a luz,
Nem sol nascia lá
Mas só fulgia a luz de Deus,
Mui pura em seu brilhar.
E todos que queria, sim,
Podiam logo entrar
Na mui feliz Jerusalém,
que nunca passará














Cantor Cristão - Hino 521

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Paragens...


Olhar teu silêncio, no fundo dos meus versos,

é saber-te permanência naquele pedaço de alma que escolhi

para guardar em mim a magia das descobertas tardias...

Olho-te para lá da distância e do recorte da solidão que

transpira(mos)

Inspiro e respiro-te.

Emprenho-me de ti o sal da vida e a beleza do sorriso

(que nem sabia que tinha)

Não me canso de pensar e de ouvir as belas músicas

do silêncio

Que contigo aprendi a discernir

segunda-feira, 11 de maio de 2009



O meu filho caçula já vinha me presenteando desde o começo da maio.
Um lindo marca páginas de coração - já mostrei pra vocês.
Bilhetes.
Sussurros pela casa.
Mas aconteceu dele adoecer.
Coisa de criança...mas precisou de cuidados, tomou soro
plasil, hidrafix (de uva manhê...) o kit virose.
Faltou na aula (esta foi a parte que ele gostou muuito)
Chegou enfim sexta-feira o dia da homenagem no colégio...
Ele ainda estava se recuperando, e eu lhe disse que podia
ficar em casa se quisesse.
Mas ele me disse - Não mãe eu quero ir...quero participar
da homenagem...
Este foi um lindo presente...emocionei
Comprei minha caixa de lenços e fui...


Foto : Délia Prado

terça-feira, 5 de maio de 2009

POSSIBILIDADES



Prefiro cinema.
Prefiro gatos.
Prefiro os carvalhos nas margens do Warta.
Prefiro Dickens a Dostoiévski.
Prefiro-me gostando dos homens
em vez de estar amando a humanidade.
Prefiro ter uma agulha preparada com a linha.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar
que a razão é culpada de tudo.
Prefiro as exceções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro conversar com os médicos sobre outra coisa.
Prefiro as velhas ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de escrever poemas
ao ridículo de não os escrever.
No amor prefiro os aniversários não redondos
para serem comemorados cada dia.
Prefiro os moralistas,
que não me prometem nada.
Prefiro a bondade esperta à bondade ingênua demais.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países conquistados ao países conquistadores.
Prefiro ter objeções.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro os contos de fada de Grimm às manchetes de jornais.
Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães com rabo não cortado.
Prefiro olhos claros porque os tenho escuros.
Prefiro as gavetas.
Prefiro muitas coisas que aqui não disse,
a outras tantas não mencionadas aqui.
Prefiro os zeros à solta
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo do inseto ao tempo das estrelas.
Prefiro isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.
Prefiro levar em consideração até a possibilidade
do ser ter a sua razão.

Wislawa Szymborska



Poetisa polonesa



Rute, estrangeira entre os judeus, por lealdade e carinho permaneceu

junto a Noemi.

O que ela diz a Noemi é lindo e profundo, levando-se em conta todos

os costumes da época em que viveu.

Boaz representa uma das mais dramáticas figuras do Antigo Testamento,

que antecipa a obra redentora de Jesus. A função de “parente remidor”

cumprida de forma tão elegante nas ações que promoveram a restauração

pessoal de Rute, dá testemunho eloqüente a respeito disso.

As ações de Boaz efetuam a participação de Rute nas bênçãos de Israel

e a incluem na linhagem familiar do Messias.

Aprecio demais a passagem de Rute 1:16 - serve para mostrar muito

bem a profundidade de um sentimento.

"Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus"

Ah eu gosto disto.
Sentimentos...gosto de falar de sentimentos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Balada de Agosto



Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto

Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado

Tanto orgulho que não meço

O remorso das palavras

Que não digo

Mesmo na luz não há quem possa

Se esconder do escuro

Duro caminho o vento a voz da tempestade

No filme ou na novela

É o disfarce que revela o bandido

Meu coração vive cheio de amor e deserto

Perto de ti dança a minha alma desarmada

Nada peço ao sol que brilha

Se o mar é uma armadilha

Nos teus olhos


Zeca Baleiro

sábado, 2 de maio de 2009

Música e Slêncio



Música e Silêncio




Ah...sublimes momentos


Quando palavras são ruidos inuteis


Estou ouvindo os Noturnos e pensando...


Acho que no meu sonho soltei minhas amarras


penso que não tenho mais dívidas a pagar,


soterrei alguma culpa que


ainda poderia estar submersa.


Nada quero a não ser uma doce lembrança.


E o mais importante -é que dei asas aos meus filhos


Que voem! Nada me devem. Nem a vida...


pois nunca a pediram.


Só quero que sejam felizes...


cada um a seu modo.


Chopin


Não se acende hoje a luz…Todo o luar

Fique lá fora.Bem Aparecidas

As estrelas miudinhas, dando no ar

As voltas dum cordão de margaridas!

*
*
Entram falenas meio entontecidas…

Lusco-fusco…um morcego a palpitar

Passa…torna a passar…torna a passar…

As coisas têm o ar de adormecidas…

*

*
Mansinho…Roça os dedos plo teclado,

No vago arfar que tudo alteia e doira,

Alma, Sacrário de Almas, meu Amado!

*
*
E, enquanto o piano a doce queixa exala,

Divina e triste, a grande sombra loira

Vem para mim da escuridão da sala…





Já notou que eu te amo

ou você pensa

que toda vez que eu ligo

é por engano?

Alice Ruiz