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A serenidade do outono entrou pela janela da minha percepção e suavizou meus sentidos, pairando no meu coração como sonata. Sou mulher, sensível, mulher apenas e bastante, sou.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Soneto XLIV - Sábras que no te amo y que te amo


Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo e
por isso te amo quando te amo


Pablo Neruda

Um comentário:

  1. Belo... Neruda... É exatamente isso, o verso desvelado em contraste... Sentir exposto, expressado assim, em beleza.

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